2008-07-15

Mudanças com a vinda da Família real

O Brasil foi descoberto em 1500, mas só foi inventado a partir de 1808. Até então, era uma grande fazenda extrativista de Portugal. Não havia a noção do que era ser brasileiro. As províncias estavam isoladas e se reportavam diretamente a Lisboa. Quando a corte chega ao Brasil, passa a funcionar como um centro agregador dos interesses das diferentes regiões. Começa a surgir o sentimento de identidade nacional. Dom João chega e cria várias instituições nacionais. Tanto assim que o que comemoramos em 2008 não são apenas os 200 anos da chegada da corte. O Brasil inteiro está comemorando 200 anos: a imprensa, a indústria, o comércio, a propaganda, o mobiliário. O código genético brasileiro está em 1808, para o bem e para o mal. Por um lado, foi um período de muita corrupção, desigualdade social e criminalidade. Por outro, estava surgindo um país grande e integrado que se reconhecia como Brasil. Também um país relativamente tolerante do ponto de vista racial.















Dom João vem para o Brasil não apenas fugindo de Napoleão. Ele tem um empreendimento civilizatório. Já na Bahia, abre os portos para o comércio internacional. No Rio de Janeiro, autoriza a instalação de fábricas, além de outras decisões que deixam clara a intenção de transformar a cidade na sede da corte portuguesa. Esse era um projeto antigo. Já existia pelo menos 250 anos antes. Ele abre estradas, demarca fronteiras, fortifica os portos e reforma a arquitetura da cidade. Dom João nomeia um intendente de polícia, uma espécie de prefeito, que é um verdadeiro agente civilizador - responsável, por exemplo, por trocar todas as gelosias por vidraças. O Rio se sofistica muito e bem rapidamente.



É preciso considerar que a cidade, de apenas 60 mil habitantes na época, suja e cheia de ratos, tem que se transformar numa capital européia. Antes, o saneamento da cidade era confiado aos escravos, que levavam tonéis com fezes e urina para as praias. O intendente então começa a aterrar pântanos, abrir esgotos, cuidar da iluminação pública, dos calçamentos...
Antes de 1808, o Rio era uma cidade muito atrasada, com pouquíssima cultura. Era uma sociedade de traficantes de escravos, tropeiros, senhores de engenhos e mercadores de ouro e diamante. Com a chegada da realeza, ela se torna uma verdadeira sociedade da corte, pois chegam milhares de pessoas habituadas a uma vida um pouco mais sofisticada - apesar de que a corte portuguesa era muito atrasada. Porém, como
a representação diplomática portuguesa também se estabelece no Rio, chegam os embaixadores franceses, ingleses, espanhóis, italianos, que demandam uma cultura muito mais sofisticada. Chegam também comerciantes, artistas, viajantes. Há a transferência de um público consumidor de cultura, que faz com que a cidade se sofistique. Ainda era uma corte muito caipira. Mas as pessoas, inclusive os colonos ricos, que eram semi-
analfabetos, começam a ganhar títulos de nobreza e passam a freqüentar os saraus da corte e o teatro.

Os hábitos alimentares mudam muito. Os viajantes ficavam escandalizados com os jantares na casa dos brasileiros. Comia-se com a mão ou com a faca que carregavam na bainha. Também era muito comum o vizinho meter a mão no prato do outro e vice-versa. A comida era muito simples: carne, feijão, farinha de mandioca e alguns legumes. Com a chegada da corte, há uma certa sofisticação. Primeiro nos eventos sociais, como os saraus. Dentro da casa, demora um pouco mais. Há uma mudança da culinária. O preparo do bacalhau, por exemplo, ganha sofisticação. Antes ele era comido seco. Chegam também os famosos doces conventuais.


Fonte: http://casa.abril.com.br/casaclaudia/edicoes/0561/casas/mt_278491.shtml

Data: 29/08

Postado por: Silva Jardim, 87807

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